Introdução
E aí, meu chapa? Puxe uma cadeira, pegue aquele seu copo de refrigerante preferido e vamos conversar. Lembra daquela época mágica em que a maior preocupação do fim de semana era convencer seus pais a te levar na locadora? Aquele ritual sagrado de passar horas olhando as capinhas, escolhendo o cartucho que seria seu companheiro por 48 horas de pura aventura. A gente soprava a fita com uma fé que moveria montanhas, conectava o controle com fio e mergulhava em universos que pareciam infinitos. Era melhor porque era mais simples, não acha?
Naqueles tempos dourados, o Super Nintendo reinava absoluto na sala de estar de muita gente. E em 1995, um ano que já era recheado de pérolas, a Square (hoje Square Enix) decidiu que não estava para brincadeira e simplesmente lançou uma das maiores obras-primas da história dos videogames: Chrono Trigger. Este não era apenas mais um RPG; era O RPG. Um projeto que juntou os “Três Grandes” da indústria japonesa — Hironobu Sakaguchi (o pai de Final Fantasy), Yuji Horii (o cérebro por trás de Dragon Quest) e Akira Toriyama (a lenda viva de Dragon Ball). Era como se os Vingadores dos games tivessem se reunido para criar algo épico.
E, cara, eles conseguiram. Chrono Trigger SNES não foi só um jogo, foi um evento. Uma experiência que pegou tudo o que a gente amava nos RPGs e elevou a um nível estratosférico. Esqueça tudo o que você acha que sabe sobre histórias de heróis e vilões. Prepare-se para uma viagem no tempo que vai mexer com suas emoções e te deixar com aquele gostinho de “quero mais”, mesmo quase 30 anos depois. Vamos embarcar nessa jornada nostálgica e redescobrir por que este clássico do Super Nintendo continua sendo absolutamente genial.
Mini História Envolvente
A tela pisca. Uma melodia suave e misteriosa começa a tocar, enquanto um pêndulo balança. O som de um sino ecoa. “Crono! Crono! Acorda, seu dorminhoco!” A voz da sua mãe te tira do mundo dos sonhos. Você é Crono, um jovem de cabelo espetado e silencioso, mas com um coração de herói que ainda não sabe que tem. Hoje não é um dia qualquer; é o dia da Feira Milenar de Guardia, um evento que celebra mil anos de história do reino.
Você salta da cama, o sol da manhã invadindo seu quarto. A feira está a todo vapor lá fora, cheia de música, barracas e gente animada. É um paraíso para qualquer adolescente. Logo na praça principal, o destino, esse brincalhão, te prega uma peça. Em meio à multidão, você esbarra numa garota loira, cheia de energia, que se apresenta como Marle. Um encontro desajeitado, um pingente perdido e recuperado, e pronto: uma nova amizade nasce ali, no meio da festa.
Juntos, vocês decidem conferir a nova invenção da sua amiga de infância, a genial Lucca: um teletransportador. Tudo parece seguro, uma demonstração de ciência e magia. Marle, sempre impulsiva, se oferece como voluntária. Ela sobe na plataforma, o pingente em seu pescoço começa a brilhar de forma estranha e… ZAP! Ela desaparece. Não teletransportada para a outra plataforma, mas simplesmente some em um portal azulado. Lucca entra em pânico. Algo deu terrivelmente errado. E agora, o que um herói faria? Exatamente. Você pega o pingente que ela deixou cair e, sem pensar duas vezes, pula no portal atrás dela. O mundo ao seu redor se distorce, as cores se misturam e, de repente, você aterrissa em um lugar familiar, mas… diferente. Bem-vindo ao ano 600. Sua aventura, caro jogador, acaba de começar.
Por Que Este Jogo Marcou Época?
Falar que Chrono Trigger é bom é chover no molhado. Mas por que, dentre tantos clássicos do Super Nintendo, ele se destaca como um monumento? A resposta é simples e complexa ao mesmo tempo: ele foi revolucionário em praticamente tudo o que se propôs a fazer. Em primeiro lugar, o impacto cultural do “Dream Team” foi gigantesco. Imagina só, em 1995, você ler na sua revista de games favorita que os criadores de Final Fantasy e Dragon Quest, junto com o artista de Dragon Ball, estavam fazendo um jogo juntos. A expectativa era absurda, e o mais incrível é que o resultado final superou tudo.
O jogo pegou o conceito de viagem no tempo SNES e o transformou no coração da experiência. Não era só um truque narrativo; era a mecânica central. Suas ações no passado realmente mudavam o futuro. Plantar uma árvore em 600 d.C. resultava em uma floresta exuberante em 1000 d.C. Salvar a vida de um ancestral garantia a existência de um personagem no futuro. Essa sensação de poder e consequência era algo que poucos jogos ofereciam com tanta maestria. Era como ter um DeLorean no seu Super Nintendo.
Além disso, o jogo quebrou paradigmas. Cansado de batalhas aleatórias que interrompiam sua exploração a cada cinco passos? Chrono Trigger também estava. Aqui, os inimigos eram visíveis no mapa. Você podia escolher enfrentá-los ou, com um pouco de habilidade, desviar. Isso deu um ritmo muito mais dinâmico e moderno ao jogo. E o que dizer dos personagens memoráveis? De um cavaleiro sapo amaldiçoado a um robô sentimental do futuro, cada membro do seu grupo tinha uma história profunda, dilemas e um carisma que transbordava da tela, graças ao traço inconfundível de Toriyama.
E, claro, os múltiplos finais. Em uma época onde a maioria dos RPGs tinha um único e linear desfecho, Chrono Trigger te dava mais de uma dúzia de possibilidades, dependendo de quando e como você decidia enfrentar o chefão final, Lavos. Isso, somado ao modo New Game+, criou um fator replay absurdo. Era um jogo que te convidava a explorar, a experimentar, a descobrir cada segredo. Por esses e outros motivos, ele não apenas marcou época; ele ajudou a definir o que um RPG dos anos 90 poderia ser.

Destaques e Pontos Fortes
Vamos mergulhar de cabeça no que faz deste cartucho uma joia atemporal. A jogabilidade é, sem dúvida, um dos maiores trunfos. O sistema de batalha, chamado de Active Time Battle 2.0, era fluido e estratégico. A posição dos seus personagens e dos inimigos no campo de batalha importava, pois muitas habilidades (as famosas “Techs”) atingiam áreas específicas. E a cereja do bolo eram as Double e Triple Techs, ataques combinados entre dois ou três personagens que resultavam em animações espetaculares e um dano colossal. Descobrir novas combinações era uma das partes mais divertidas do jogo.
Graficamente, Chrono Trigger espremeu até a última gota do hardware do Super Nintendo. Os sprites dos personagens eram detalhados e expressivos, os cenários eram vibrantes e cheios de vida, e os efeitos visuais durante as batalhas eram de cair o queixo. Cada período de tempo tinha uma identidade visual única: a simplicidade rústica da pré-história, a pompa medieval da Idade Média, a desolação pós-apocalíptica do futuro e a beleza etérea do Reino de Zeal. Era uma obra de arte em 16-bits.
E a trilha sonora… ah, a trilha sonora. O trabalho de Yasunori Mitsuda (com uma ajudinha do mestre Nobuo Uematsu) é simplesmente uma das melhores composições já feitas para um videogame. Músicas como “Corridors of Time”, “Frog’s Theme” e “To Far Away Times” não são apenas melodias de fundo; elas são a alma do jogo. Elas ditam a atmosfera, evocam emoções e grudam na sua memória para sempre. É impossível ouvir essas músicas sem sentir uma onda de nostalgia.
O ritmo do jogo também é perfeito. A história principal é envolvente e te mantém preso, mas o jogo também te dá liberdade para explorar e fazer uma infinidade de missões secundárias que são tão boas quanto a trama principal. Cada uma delas desenvolve a história de um personagem, oferecendo recompensas incríveis e momentos inesquecíveis. Uma curiosidade bacana é que Yasunori Mitsuda trabalhou com tanta intensidade na trilha que acabou tendo uma úlcera e precisou ser hospitalizado, o que levou Nobuo Uematsu a ser chamado para finalizar as faixas restantes. Isso mostra a paixão envolvida no projeto.
Dicas Para Rejogar de um Jeito Diferente
Achou que já viu tudo em Chrono Trigger? Pense de novo! Um dos motivos para rejogar Chrono Trigger é que ele é como um bom livro: a cada nova leitura (ou jogatina), você descobre novos detalhes. Se você está pensando em soprar a poeira do cartucho, aqui vão algumas ideias para apimentar as coisas:
- O Desafio do New Game+ Imediato: Assim que você habilita o New Game+, pode enfrentar Lavos a qualquer momento. Que tal tentar derrotá-lo logo no início da Feira Milenar? É um desafio para os fortes, mas desbloqueia um dos finais mais engraçados do jogo.
- A Caravana dos Incomuns: Monte um time com os personagens que você menos usou na sua primeira jornada. Sempre deixou Marle ou Robo no banco de reservas? Dê uma chance a eles! Você vai se surpreender com as combinações de Triple Techs que nunca viu.
- O Minimalista Consciente: Tente terminar o jogo usando o mínimo de itens possível ou sem comprar equipamentos novos nas lojas, dependendo apenas do que você encontra em baús ou derrota de inimigos. Isso vai te forçar a pensar de forma mais estratégica nas batalhas.
Além desses desafios, você pode focar em explorar rotas alternativas. Por exemplo, a forma como você lida com o julgamento de Crono no início do jogo pode ter pequenas consequências. Ou que tal tentar salvar um certo personagem que, na primeira vez, teve um destino trágico?
Para uma experiência ainda mais diferente, experimente estas abordagens:
- Foco Total na História: Ignore as missões secundárias em uma jogada e vá direto ao ponto. A experiência se torna mais cinematográfica e intensa.
- O Caçador de Finais: Use o New Game+ para, metodicamente, caçar todos os 13 finais do jogo. É uma ótima maneira de ver todas as possibilidades malucas que os desenvolvedores criaram.
- Jogo Temático: Jogue apenas com personagens femininas (Marle, Lucca, Ayla) sempre que possível, ou apenas com personagens não-humanos (Frog, Robo, Ayla). Isso muda completamente a dinâmica das batalhas.
Rejogar Chrono Trigger não é apenas sobre nostalgia; é sobre redescobrir a genialidade de seu design e a profundidade de seu mundo. Cada nova partida é uma nova viagem no tempo.
Avaliação
Chegou a hora da verdade! Pegamos nosso controle de Super Nintendo, passamos um fim de semana inteiro viajando pelo tempo e agora trazemos o veredito final, no melhor estilo das revistas que a gente comprava na banca!
Jogabilidade: 10/10
Simplesmente perfeita. Mais precisa que o corte da Masamune e mais divertida que uma festa na pré-história com a Ayla. A ausência de batalhas aleatórias e o sistema de Techs combinadas foram um presente dos deuses dos games. Controle na mão e sorriso no rosto.
Gráficos: 9.5/10
O Super Nintendo pediu água! Os cenários são lindos, os sprites são cheios de personalidade e as animações dos golpes são um show à parte. Perde meio pontinho só porque a gente sempre quer mais, mas para a época, era praticamente bruxaria visual.
Trilha Sonora: 10/10
Prepare o lencinho. Cada música é uma obra de arte que vai te fazer flutuar, lutar com mais garra ou chorar no cantinho. Se o seu videogame pudesse falar, ele pediria para você aumentar o volume. Ouvir com fones de ouvido é obrigatório!
Dificuldade: 8.5/10
Na medida certa. O jogo te desafia, te faz pensar, mas nunca é injusto. Os chefes são inteligentes e exigem estratégia, mas nada que um pouco de treino e a combinação certa de heróis não resolva. Equilíbrio é a palavra-chave.
Replay: 10/10
Infinito! Com mais de uma dezena de finais, o modo New Game+ e segredos espalhados por todas as eras, você vai jogar, terminar e começar de novo, de novo e de novo. Este cartucho vai morar no seu console por muito tempo.
MÉDIA GERAL: 9.6/10

Veredito: Um clássico atemporal, uma obra-prima, um marco na história dos videogames. Chrono Trigger não é um jogo, é uma experiência de vida. Se você tem um Super Nintendo, é compra obrigatória. Se não tem, arrume um! É o tipo de jogo que justifica a existência de um console. Uma verdadeira lenda dos 16-bits!
Resumo Final
E assim, nossa viagem pelo tempo chega ao fim… por enquanto. Olhar para trás e falar de Chrono Trigger é mais do que apenas analisar um jogo antigo; é revisitar uma parte importante da nossa história como jogadores. É lembrar da sensação de descoberta, da emoção de cada reviravolta na trama e do carinho que desenvolvemos por aquele grupo improvável de heróis.
Este jogo é uma carta de amor aos RPGs, feita por pessoas que claramente amavam o que estavam fazendo. A história sobre amizade, sacrifício e a luta contra um destino apocalíptico continua tão poderosa hoje quanto era em 1995. A magia de Chrono Trigger não envelheceu, apenas se tornou mais valiosa com o tempo.
Então, aqui vai o meu convite, de um fã para outro: jogue de novo. Dê a si mesmo esse presente. O motivo? Porque em meio à correria da vida adulta, revisitar esse mundo é como encontrar um velho amigo. É um conforto, uma fonte de alegria pura e uma lembrança de que grandes histórias são eternas.
Para sua nova jornada, que tal começar de um jeito diferente? Tente levar Marle para o julgamento de Crono para ver diálogos diferentes, ou foque em completar todas as missões do “Fim dos Tempos” antes de encarar Lavos. Ou, simplesmente, jogue sem guias, sem pressa, apenas se deixando levar pela música e pela aventura. Redescubra o prazer de explorar cada canto de 65.000.000 a.C. a 2300 d.C. O portal está aberto. Crono, Marle e Lucca estão te esperando. A aventura da sua vida está a um “New Game” de distância.
